Relato da Viagem ao Chile - Viña del Mar

O Diário da viagem


Na véspera da viagem, estava tudo pronto, moto revisada, bagagem pronta e cuidadosamente acondicionada na moto. Porém, naquela noite, o Jorge me ligou dizendo que a moto do Carlos, uma Honda CBR 450, chegou em Porto Alegre com problemas e foi direto para a oficina necessitando substituir o conjunto da transmissão, e por isso não sairíamos mais no horário planejado, às 7h do dia seguinte. Naquela hora pensei - nossa viagem nem iniciou e os problemas já começaram. Passamos meses planejando todos os detalhes e antes do primeiro dia já tivemos que alterar os planos. Mas é assim, quem viaja de moto tem que estar com o espírito preparado para o imprevisto. Quando se viaja em grupo, com um maior número de motos, maiores são as chances de acontecerem problemas mecânicos.
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1º dia – 05/04/2005 – A partida

Enfim, saímos de Porto Alegre, com a peça substituída, às 11h da manhã rumo a Uruguaiana. No restaurante que almoçamos em Butiá conhecemos o “Tibe”, motociclista de Erechim, que tinha viajado para Chile este ano. Nos deu várias dicas sobre as estradas argentinas e chilenas e o nome de vários hotéis, o que nos foi muito útil.
O piso da BR290 é muito bom, com exceção do trecho entre São Sepé e São Gabriel, que é horrível, com muitos buracos e ondulações. Como saímos tarde de Porto Alegre não conseguimos chegar em Uruguaiana até o final do dia. Assim, resolvemos passar a noite em Alegrete. Foi difícil de conseguirmos hotel, pois naquela semana tinha uma feira de agronegócio na cidade e todos os hotéis estavam lotados. Como última alternativa fomos parar num hotel pequeno no interior da cidade. Deixamos as motos na calçada e entramos na recepção do hotel. Perguntei à recepcionista se tinha quartos disponíveis e ela respondeu que tinha somente quatro quartos com cama de casal. Num instinto masculino de preservação imediato, nos olhamos e ao mesmo tempo falamos – queremos os quatro quartos, um quarto para cada um de nós.
Para nossa surpresa, encontramos no hotel, novamente o “Tibe” de Erechim. Como já conhecia a cidade de Alegrete, fomos com ele ao centro da cidade para comermos alguma coisa e conversar mais sobre a viagem.

2º dia – 06/04/2005 – A multa

Pela manhã, bem cedo, saímos rumo a Uruguaiana. O Tempo estava muito nublado, e logo começou chover. Pegamos 45 minutos de muita chuva, tivemos que reduzir a velocidade em função do piso molhado. Depois que a chuva passou, voltamos a acelerar forte, pois tínhamos que recuperar o tempo perdido em Porto Alegre. Quando estávamos passando pelo posto da Polícia Rodoviária Federal de Uruguaiana fomos abordados por três policiais rodoviários. Nos pediram os documentos e nos alegaram que tínhamos passado por um radar móvel a 136 km/h, há cinco quilômetros do posto policial. Tentamos argumentar, mas não teve jeito. Levamos sete pontos na carteira e uma multa de R$ 574,00.
Tínhamos combinado que o ponteiro (aquela moto que vai à frente do grupo) seria responsável por cuidar a estrada tentando evitar que esse tipo de problema acontecesse. Neste ponto marcamos bobeira.
Depois de perdermos mais de uma hora no posto policial e de sairmos indignados com a multa, fomos até o centro de Uruguaiana fazer câmbio e depois rumamos para fronteira entre o Brasil e a Argentina. A imigração para Argentina foi rápida e tranqüila, sem maiores problemas. Nosso destino, neste dia, seria a cidade de Santa Fé, capital da província de mesmo nome, à margem direita do rio Paraná.
Cruzamos pela Ruta 14 e 127 a província de Entre Rios, região muito pobre, onde tem dois postos de controle da Polícia Caminera, mais ou menos a 130 km de Paso de los Libres. No primeiro posto, os policiais foram gentis, nos pediram os documentos e o seguro carta verde e nos deixaram seguir viagem. Mais 10 quilômetros, outro posto da Polícia e tudo de novo, documentos mais carta verde. Nos fizeram um monte de perguntas e por fim, com a maior cara de pau, nos pediram umas camisetas do grupo. Sorte que tínhamos levado 25 camisetas para distribuir para os “pobres” argentinos.
Para chegarmos a Santa Fé passamos por um túnel sub-fluvial, no rio Paraná, que liga as províncias de Santa Fé e Entre Rios. O túnel é uma gigantesca estrutura de concreto armado sob o leito principal do Rio Paraná, com uma extensão de 2.400 metros e 17 metros de profundidade, equipado com um complexo sistema de alto falantes, circuito interno de TV e telefones, além de possante sistema de ventilação.

3º dia – 07/04/2005 – Córdoba

Saímos de Santa Fé às 9h30min com destino a Córdoba, segunda maior cidade da Argentina. Pegamos a Ruta 19 que corta extensas plantações de soja, tornando a estrada um pouco perigosa em virtude das enormes máquinas agrícolas que circulam na rodovia. Tinha a informação que Córdoba era uma cidade bonita e organizada, mas quando chegamos à cidade, no início da tarde, me decepcionei. Pelo menos a percepção que tive era que Córdoba era uma cidade suja, com muitas favelas, avenidas mal sinalizadas e esburacadas, trânsito confuso e nervoso. Nos hospedamos no Hotel Monte Carlo, que fica na Av. Sabattini, 2119. Fomos muito bem recebidos por uma gentil senhora que nos mostrou os quartos. Pela sua aparência, não era da recepção, talvez fosse a camareira. Depois de nos alojarmos e tomarmos um delicioso banho, descemos para pegar um táxi para conhecer a cidade. Na recepção estava um senhor, que acredito fosse o gerente do hotel que nos solicitou que acertássemos a diária do hotel antes de sairmos. Alegamos que iríamos à cidade e que depois resolveríamos esse assunto. Novamente, ele insistiu, dizendo que era uma ordem do dono do hotel. Aquela desconfiança me irritou. Disse a ele que só pagaríamos a conta do hotel no momento que achássemos conveniente e que aquele não era esse momento e saímos. Fomos ao centro, caminhamos um pouco e depois fomos jantar.
Retornamos ao hotel depois das 23h, passamos pela recepção, pegamos as chaves dos quartos e o funcionário só nos olhou, não falou nada. Pela manhã, acordamos cedo e fomos tomar o café da manhã. Sentamos à mesa e nada do café. Perguntamos se não iam servir o café e o gerente falou que só depois que pagássemos a conta. Para evitar maiores problemas resolvemos pagar a conta com o cartão de crédito que não foi aceito, pois alegaram que estavam com problemas na linha telefônica e só receberiam em dinheiro. Eu já estava a ponto de explodir, mas fui contido pelos companheiros. Depois, conversando sobre o ocorrido, concluímos que eles estavam desconfiados por estarmos de motocicleta. Talvez já tiveram alguma experiência negativa com algum motociclista, mas mesmo assim, achei o fim do mundo ser tratado daquela forma. Depois deste episódio, resolvemos pagar todas as diárias dos hotéis adiantado e como prêmio recebemos um belo sorriso de todas as recepções dos hotéis que passamos.

4º dia – 07/04/2005 – Muitas retas rumo a Mendoza

Neste dia nosso destino era Mendoza. Pegamos a Ruta 36 com longas retas e muitas plantações de soja e trigo. O dia estava bom, mas um pouco frio pela manhã e com um vento que insistia em nos tirar da estrada. Eu acho que pilotar uma moto com vento é mais chato e cansativo que perigoso, pois temos que, inclinar a moto e joga-la em sentido contrário ao vento, a fim de equilibrar a moto na estrada. Depois de dezenas de quilômetros rodados nestas condições o seu corpo, principalmente os braços e o pescoço, começam a reclamar.
Depois de 230 km rodados, com muito vento, chegamos a Rio Cuarto, onde pegamos a Ruta 8 rumo a Villa Mercedes. Estávamos num posto de gasolina quando chegaram uns vinte motociclistas argentinos, procedentes de Córdoba, que estavam indo para um encontro de motos na cidade de San Luis. Era um pessoal muito divertido, falavam alto e todos ao mesmo tempo, que de certa forma dificultava um pouco o nosso entendimento, mas como acho que também não entendiam muito que dizíamos, ficou por isso mesmo. Conversamos um pouco sobre as motos e sobre as condições das estradas. Disseram que devíamos ter muito cuidado com as máquinas agrícolas e com os caminhões nas estradas daquela região. Nos convidaram para participar do encontro com eles e quase aceitamos o convite, pois seria uma experiência muito interessante para nós. Porém, tínhamos que chegar a Mendoza naquele dia e se fossemos ao encontro, em San Luis, iríamos nos atrasar.
Assim resolvemos seguir o nosso roteiro rumo à Cordilheira. Na ruta 8, viajamos uma grande parte do tempo em pista de auto estrada, com piso muito bom e com pouco movimento, com isso resolvemos acelerar para ganharmos tempo. Chegamos a Mendoza ás 17h e fomos direto para o centro procurar um hotel. Ficamos no Hotel Garden, bem no coração de Mendoza.

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5º dia – 08/04/2005 – Mendoza, cidade do Sol e do Vinho.

Neste dia tínhamos programado descansar e conhecer um pouco a cidade. Mendoza é uma cidade fascinante com cerca de 1 milhão de habitante e recebe em média 850 mil turistas por anos. O clima é semidesértico, porém todas as ruas são arborizadas graças a aquedutos que distribuem a água, vinda da Cordilheira do Andes, por toda a cidade. Mendoza tem 52 praças e três parques, o maior deles chama-se San Martin, com 300 hectares de muito verde. Pela manhã, pegamos um ônibus e fomos conhecer o parque San Martin que tem um serviço de tour com guia, que além de explicar todo o funcionamento do parque também conta um pouco da história de Mendoza e da Argentina.
À tarde, fomos visitar algumas vinícolas e uma fabrica de azeite de oliva. A Província de Mendoza é responsável por 70 % dos vinhos produzidos na Argentina.
À noite, saímos para jantar. Comemos uma bela massa acompanhada, é claro, de muito vinho.

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6º dia – 09/04/2005 – Domingo – A Cordilheira dos Andes

Neste dia acordamos cedo, pois estávamos ansiosos com a partida em direção à Cordilheira. O dia estava ótimo, muito sol e pouco frio. Em Mendoza, 90% dos dias tem sol, por isso é chamada cidade do sol e do vinho.
Pegamos a Ruta 7 e fomos em direção à Cordilheira. No início, a estrada está paralela á montanha, que fica a nossa direita. De repente, a estrada faz uma grande curva e uma grande reta que nos separa da Cordilheira aparece bem a nossa frente. À medida que se avança, a sensação que se tem é que estamos parados e as montanhas é que se movem em nossa direção, dando a impressão que logo seremos engolidos por elas. O visual é impressionante, nos deixando de queixo caído. Enormes montanhas, com os picos cobertos de neve, que com reflexo dos raios do sol dão um brilho todo especial. A estrada tem milhares de curvas e um fluxo grande de caminhões.
Teve um momento em que grupo parou para tirar alguma fotos e eu segui em frente. Em seguida, fiquei atrás de um caminhão que levantava uma enorme nuvem de poeira. Cada vez que ia ultrapassa-lo vinha um caminhão em sentido contrário e eu ali, comendo poeira. Quando terminaram as curvas, vi uma pequena reta e disse pra mim mesmo – é agora – quando termino a ultrapassagem vejo placas na beira da estrada - reduza a velocidade, 80 km, 60km, 40km – olho à frente: um posto policial. Tudo bem fui baixando as marchas e reduzindo a velocidade. Quando estava chegando perto do posto, sai um policial de dentro da guarita. Fez sinal para eu parar. Parei a moto e abri a viseira do capacete. Em espanhol, ele me disse: O senhor ultrapassou um caminhão lá em cima na estrada, com faixa amarela dupla. Eu, com a maior cara de pau, respondi: Me desculpa, mas não estou lhe compreendendo. O Homem olhou para céu, deu um grande suspiro e disse novamente – O senhor ultrapassou – nesta altura o caminhão já estava passando por nós – aquele caminhão – apontando com uma das mãos – lá em cima na estrada, com faixa dupla amarela. Eu, achando que estava agradando, repeti que não entendia o que ele dizia. Ele olho para a bandeira do Brasil que estava na minha bagagem e disse: O senhor é brasileiro.- Sim, sou – respondi. – Bueno, quer dizer que os brasileiros só entendem o que lhe convém. Neste momento entendi que estava enrascado, ainda tentei argumentar que não vi a faixa, que provavelmente estaria apagada, mas não teve jeito, me mandou encostar e desligar a moto. Nisso, os meus companheiros estavam chegando e a ordem foi à mesma, encostar e desligar a moto. Pediu os nossos documentos e os das motos. Ficamos uma meio hora esperando e eu me preparando para mais um multa. Quem veio falar conosco foi um outro policial que nos reuniu e disse: Uma das motos ultrapassou um caminhão num lugar proibido, porém eles não iriam nos multar, pois ali era um posto militar de fronteira e que tivéssemos cuidado, pois no Chile os policiais chilenos eram rigorosos no trânsito, que não ultrapassássemos o limite de velocidade e respeitássemos a sinalização. Ufa, desta eu escapei! – Agradecemos, subimos nas motos e seguimos rumo ao Chile.
Em seguida, minha moto começou a ter problemas com altitude. A danada começou a tossir, engasgar e perder potência. O máximo que conseguia era rodar em segunda marcha, a 40 km por hora. Paramos para abastecer em Los Penitentes, onde fica uma estação de esqui muito interessante com vários hotéis e pousadas e uma paisagem de deslumbrante.
Quando chegamos no túnel Cristo Redentor, na divisa da Argentina com o Chile, eu parei para tirar algumas fotos e o grupo seguiu em frente. Esse foi a pior parte da viagem, atravessar o túnel de 3.800 m, sozinho, com a moto falhando foi um sufoco danado. Pensei que a moto não iria ter forças para sair do túnel. Depois de uma eternidade, em 1ª marcha, com acelerador puxado ao máximo e com a incrível velocidade de 20 km/h consegui sair do túnel do terror.
Eram duas horas da tarde quando chegamos no poste de fronteira entre a Argentina e o Chile. O Carlos e o Maurel resolveram voltar a Mendoza. Nos despedimos dos dois companheiros de viagem e fomos para o martírio burocrático que é ingressar em solo Chileno. Depois de muita confusão e informações desencontradas conseguimos passar para o lado chileno.
Agora, começamos a descer a Cordilheira rapidamente e as motos melhoram 100%. Passamos pelos Caracoles, uma seqüência de 28 curvas muito fechadas e íngremes, de deixar qualquer um tonto. Descemos com todo cuidado. Uma breve parada para tirar umas fotos e seguimos viagem ruma a Viña del Mar. Passamos por Los Andes, San Felipe e no final da tarde, depois de um dia cheio de emoções, avistamos o Oceano Pacífico. Paramos as motos, descemos e com capacete e tudo nos abraçamos e gritávamos - Nós estamos aqui, nós estamos aqui. Foi o apogeu da nossa viagem. O principal objetivo foi atingido, chegar no Oceano Pacífico. Era Domingo, e cidade estava praticamente vazia, com pouco trânsito e ruas praticamente desertas. Nos hospedamos no Magno Hotel, na rua Arlegui 372.

7º dia – 09/04/2005 – Descanso em Viña del Mar

Acordamos cedo e fomos levar as motos para regulagem e troca de óleo. Estava um belo dia e depois de deixarmos as motos na oficina, resolvemos caminhar pela cidade.
Viña del Mar é uma cidade turística que junto com Valparaíso tem mais de 1 milhão de habitantes. Tem muitos hotéis luxuosos e dois cassinos. O comércio de produtos estrangeiros também é muito grande, devido à facilidade de importação de produtos americanos em função do porto de Valparaíso.
No final da tarde, pegamos as motos e fomos conhecer Valparaíso que fica ao lado de Vinã del Mar. Jantamos em um restaurante a beira mar e no final da noite retornamos ao hotel.

8º dia – 09/04/2005 – O retorno a Cordilheira

Saímos de Vinã del Mar perto das 11h com destino a Mendoza. As motos ficaram boas, não apresentando nenhum problema com a altitude. A estrada estava bastante movimentada com muitos caminhões, fato que nos atrasou um pouco. O dia estava um pouco nublado e à medida que subíamos a temperatura caía rapidamente. Quando chegamos nos caracoles a estrada estava fechada em função de um acidente com um caminhão. Ficamos esperando quase duas horas para liberarem a estrada. A fila de caminhões era interminável. Lentamente, íamos ultrapassando os gigantes da estrada.
Eram quase 17h quando chegamos em Los Penitentes. A noite já se avizinhava e o frio estava forte. Então resolvemos passar a noite ali, pois não conseguiríamos chegar em Mendoza antes de anoitecer. Ficamos no Hotel Aylen que naquela noite só tinha um hóspede, pois a temporada na estação de esqui começa em junho.

9º dia – 09/04/2005 – O frio e mais problemas mecânicos.

Na noite anterior, dormimos com dificuldade, pois a altitude (2.800m) incomodou um pouco nossa respiração. Nem tinha amanhecido já estávamos de pé para continuarmos a viagem de retorno. Estava bastante frio, o termômetro da recepção do hotel marcava 3ºC, mas com o vento a sensação era negativa. Saímos do hotel às 7h30min, depois de tomarmos um ótimo café da manhã, por sinal, o primeiro café decente servido em um hotel em toda a Argentina.
Olhávamos para o topo das montanhas e víamos os tímidos raios do sol que, em seguida, desapareceram entre as nuvens escuras que se apresentavam um pouco mais a nossa frente. Paramos para colocar mais roupa, pois o frio estava batendo forte. Mais abaixo avistávamos nuvens carregadas que anunciavam que logo teríamos chuva. Há 80 km de Mendonza começou a cair uma chuva bem fina, por uns 15 minutos que, seguida de vento, congelou o nosso esqueleto.
Depois da chuva, a CBR 600, do Jorge, começou a cuspir uma fumaça estranha. Paramos e ele me disse que tinha estourado um cilindro da moto e lá fomos nós a procura de um mecânico. Na entrada da cidade de Mendoza, depois de algumas informações, encontramos Juan, um jovem argentino dono de um pequena oficina, que gentilmente substituiu a vela defeituosa. Seguimos acelerando forte pela Ruta 7 até a Villa Mercedes e depois pela Ruta 8, até Rio Cuarto, cidade movimentada, com um trânsito complicado. Ficamos no Grand Hotel Rio Cuarto, na rua Sobremonte, 725, bem no coração da cidade.

10º dia – 09/04/2005 – O tombo na lama

Tivemos dificuldade em sair de Rio Cuarto, pois inexiste sinalização nas ruas e, para ajudar, nos indicaram um caminho errado. Depois de algum tempo perdido entre idas e vindas achamos a Ruta 158 que nos levaria a Villa Maria e depois San Francisco.
Cruzamos, novamente, extensas plantações de soja e trigo. O tempo estava instável. Pegamos momentos de muita chuva, mas sem maiores problemas até eu ouvir um barulho de plástico batendo ao vento na minha bagagem. Resolvi parar para checar a bagagem, mas a estrada não tinha acostamento asfaltado, somente grama alta e plantação de soja nos dois lado da estrada. Quando avistei uma faixa de terra, no acostamento, resolvi diminuir a velocidade com a intenção de parar a moto. Quando saí do asfalto, a roda dianteira da moto afundou na terra fofa e molhada e a moto tombou para o lado direito. Para evitar que a moto caísse em cima da perna, saltei da danada e me espatifei na lama. Fiquei que era puro barro. Passado o susto, o Jorge não parava de rir, afinal eu parecia um porco, todo sujo de lama. Tivemos dificuldade de levantar a moto que grudou no barro. Depois, a moto ficou atolada. O Jorge teve que empurrá-la. Resultado: era a vez dele de ficar todo embarrado.
Paramos no primeiro posto de gasolina, pedimos uma mangueira e com uma vassoura tiramos o barro de nossas roupas e lavamos as motos e bagagem. Seguimos viagem, com chuva, pela Ruta 19 até Santa Fé e depois pela Ruta 127 até a cidade de Federal, onde passamos a noite.

10º dia – 09/04/2005 – Fim da viagem

Saímos de Federal rumo a Passo de los Libres. Na Ruta 14, fomos parados no mesmo posto policial em que paramos na ida. O policial nem pediu os nossos documentos, somente nos pediu mais uma camiseta. Como não queríamos complicação, lá ficou a última camiseta do grupo. Perto do meio dia, passamos pela ponte da Liberdade e ingressamos em solo brasileiro. Depois de 4.600 km rodados faltavam mais 630 para chegarmos em casa.
A vontade de chegarmos nos empurrava com velocidade na BR290 e no final da tarde chegamos à São Sepé. Agora só faltavam 250 km. Abastecemos e aceleramos forte até Pântano Grande. Restam 120 km para chegarmos em Porto Alegre. Às 22h abri o portão da minha casa, com o corpo cansado pela grande jornada, mas com alma repleta de felicidade. Foram onze dias de viagem e 5.200 km rodados. Agradeço aos meus companheiros de viagem, principalmente, ao Jorge, meu grande amigo e irmão, pela sua companhia durante durante toda a jornada.
Quero agradecer também, a minha esposa Marlene e aos meus filhos Luana e Thiago, pois graças ao amor deles tive força para realizar mais esse sonho.

    Vanderlei de Souza
    
       


"Um dia é preciso parar de sonhar e, de alguma forma, partir ." Amyr Klink

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